Wednesday, June 8, 2011
Em um mundo melhor
Tuesday, March 22, 2011
Fotografando a própria câmera
Alguns donos de uma Canon 400D (ou similares) costumam tirar fotos deles próprios segurando essa câmera.
O que vem a ser uma contradição: se tenho essa ótima câmera, quero tirar fotos legais de coisas legais, em lugares legais, capturar momentos, usar técnicas diferentes… se alguém tira uma foto de mim segurando minha câmera, nada disso é possível: a foto provavelmente foi tirada em uma câmera inferior, no modo automático, por um fotógrafo que não tem a menor idéia de como usar os recursos que você tem na sua câmera, os recursos pelos quais você pagou tão caro.
Então veja só: você paga $600 nessa câmera (ou mais, se você a comprou no Brasil), e a foto que você escolhe mostrar pra todo mundo é uma foto amadora!! Na qual não foi você quem tirou a foto e nem foi usada a tal da câmera!!
Friday, March 11, 2011
Jogar fora
Em janeiro de 2012 será inaugurada na USP a biblioteca Guita e José Mindlin, que receberá a coleção do falecido bibliófilo José Mindlin. A coleção inclui raridades como um exemplar autografado de Machado de Assis, uma primeira edição de Hans Staden, do século 16, um original de "Vidas Secas", com anotações de Graciliano Ramos. A biblioteca será num prédio novo de 14 mil m^2, deverá contar com equipamentos e time de profissionais para conservar todas as raridades e controlar o acesso de pesquisadores e visitantes às obras.
É ótimo que esforços como este existam, e que tais raridades sejam preservadas. Mas isso me leva a pensar. Em casa e na vida, sempre jogamos coisas fora. A recomendação do bom senso é sempre ficar com o essencial, e não entupir a casa de coisas que não se usa. Uma das coisas mais difíceis de aceitar na minha vida é justamente como nada dura para sempre, não apenas nos objetos que você usa no dia-a-dia, como também com as pessoas com quem você convive. Muitas das mudanças que se operaram em mim nos últimos tempos têm a ver justamente com aceitar que certas coisas acabaram, que certas idéias, objetos, pessoas têm que ser deixadas para trás. Por mais que eu acredite na validade da idéia, no valor da pessoa, na utilidade dos objetos... todas elas têm sua hora de partir.
Por outro lado, essa biblioteca provavelmente não paga seus custos. São necessários profissionais e equipamentos especializados apenas para preservar tantas obras raras. Obras cujo conteúdo pode ser facilmente digitalizado, dispensando a construção de um prédio, a compra de equipamentos e a contratação de profissionais. Não que eu não goste de saber que um manuscrito do Machado de Assis está preservado e seguro ao meu alcance.
Apenas penso: nós como indivíduos não podemos guardar todas as coisas que fizeram parte de nossa vida um dia. O motivo é que em geral numa certa fase da vida nos dedicamos a, digamos, 3 atividades (1 trabalho, 1 esporte, 1 arte); nos distraímos, em geral, com 5 objetos (TV, filmes, músicas, livros, brinquedos...), e nos relacionamos com digamos 10 pessoas. No nosso tempo e na nossa cabeça só cabe isso. Conforme vão surgindo novas atividades, pessoas e objetos, alguns têm que ser deixados para trás. Simplesmente não há tempo, não há espaço em nossas cabeças.
No entanto quando um somatório de indivíduos, que dedicam uma fração da sua atenção e tempo ao estudo da literatura e a preservação de obras, isso possibilita a construção da biblioteca. Acho que essa biblioteca reflete uma situação inédita na história do mundo: uma situação em que a sociedade produz excedente suficiente para que atividades de baixo retorno, como a pesquisa literária, sobrevivam e se desenvolvam a despeito do dinamismo e baixa durabilidade impostos ao nosso estilo de vida contemporâneo. Há cada vez menos pessoas dedicadas à satisfação das necessidade básicas do ser humano, e esse excedente de tempo, de braços, de inteligência é cada vez melhor direcionado a todos os outros ramos da vida.
Friday, February 18, 2011
南京
Tuesday, February 15, 2011
As fases do Chinês
Certa vez uma conhecida me perguntou se eu não tinha algum livro, algum material para ela aprender chinês. Ela me especificou que não queria nada muito sério, muito extenso, que não queria fazer curso, queria apenas algo leve e fácil para ir vendo aos poucos.
Imagino que ela seja dessas pessoas que aprenderam inglês vendo filme e seriados, que tenha uma boa noção de espanhol por ter lido alguns livros, e que tenha se aventurado por outros idiomas e aprendido coisas básicas sem se esforçar muito, daí pensar que é possível sentar uma horinha por semana lendo algum material bobinho e aprender uma língua.
Mas o chinês é diferente.
Primeiro, a não ser que você seja algum gênio, você precisa SIM de um professor, pelo menos no começo. O sistema fonético chinês é completamente diferente do de qualquer língua ocidental. Não tem como começar a distinguir os sons e reproduzí-los por conta própria sem auxílio de professor. O professor vai reproduzir os sons, e ouvir você tentar (segurando o riso). Depois, o aluno precisa treinar, e muito. Repetir todos os fonemas e todos os seus tons no início de cada aula. Essa vai parecer uma tarefa inútil, que nunca traz resultado. Mas é o único jeito. Depois de alguns meses fazendo isso todo começo de aula, você vai começar a distinguir os tons das palavras que o professor te fala. Mas isso é apenas o começo. Com isso você apenas começa a distinguir e falar os tons individualmente. Mas quando se tem que ouvir ou falar uma frase, tudo muda. Os tons se encadeiam, cada frase tem seu jeito específico de falar os tons, cada combinação de tons tem sua técnica específica de falar, alguns tons são suprimidos, outros são ressaltados…
Segundo, não tem como estudar chinês de vez em quando e evoluir. Mesmo nativos estão sempre esquecendo os ideogramas. Não tem jeito fácil de memorizar os ideogramas, as palavras e expressões. Não dá pra decorar por associação, não dá pra decorar com musiquinha, quase não dá pra deduzir nada a partir das palavras que você já conhece, não adianta. Tem que sentar e estudar.
Sunday, January 16, 2011
書法
Meu último trabalho em caligrafia foi o número "9". A princípio parece ser um ideograma fácil de escrever e sem significado interessante, pelo menos se comparado aos "ideogramas-amuleto" que o brasileiro adotou por influência dos japoneses. Entre estes estão 福 (sorte), 愛 (amor) e 幸 (felicidade). Quanto ao significado, o 9 é considerado um número da sorte entre os chineses por ter o mesmo som de 久 (jiu3), que significa longevidade, durabilidade. Então se você acha interessante que as coisas na vida sejam duráveis e ricas, em contraponto às efêmeras e supérfluas, pode adotar este ideograma como amuleto.
Quanto à forma, este não é um ideograma fácil de escrever. Ele é difícil justamente por ser simples. Isso significa que a proporção dos traços e a distribuição no espaço tem que ser minuciosa, perfeita. Qualquer traço maior do que devia, um pouco mais para a esquerda ou para a direita, um pouco mais fino ou mais grosso do que deveria já fica óbvio ao observador.
Saturday, August 9, 2008
我回來了...
Primeiro vamos falar sobre as línguas, que já tem a ver com essa reflexão meio existencial do blog... Nunca levei muito a sério essas coisas, mas agora vejo muito claramente que meu grau de fluência em línguas é de fato dividido em várias skills, habilidades. Minha fluência em escrita é tão mil vezes melhor que as outras. Eu escrevo muito melhor que falo e ouço. Por isso esse blog. As pessoas lêem aqui coisas que elas talvez jamais tenham a chance de ouvir eu falar.
Uma coisa engraçada que aconteceu quando cheguei foi voltar a ouvir o português já no avião, como se a viagem fosse um preparatório para quando eu chegasse. Como usei muito pouco essa língua por 1 ano, foi uma sensação estranha. Me sentia totalmente chinês no meio de tanto brasileiro. E o que é mais estranho, entendendo tudo que eles falam perfeitamente. E falando com eles sem sotaque coisas "estranhas" como "e aí, beleza?" (怎麼會從我嘴裡說出?? como uma coisa dessas foi sair da minha boca??). Quando estávamos sobrevoando Mairiporã, pensei nesse nome, mas que língua estranha. Como é que eu conheço esses nomes tão complicados e não esqueci? E tem ainda tantos nomes indígenas de cidades que conheço, o que me deixou ainda mais surpreso. De repente estavam passando pela minha cabeça os nomes, Itapetininga, Itaquaquecetuba, Itapecerica, Guaratinguetá... e eu surpreso comigo mesmo. Os nomes de cidades chinesas me pareceram tão fáceis, já que a maioria é composto por apenas duas sílabas. E todos têm seus caracteres, então se as pronúncias são parecidas, a escrita com certeza não.
Aliás acho que esse é o meu grande segredo para estudar chinês. Como tudo que se fala é parecido, simplesmente esqueço as semelhanças e foco na escrita. Quando se sabe bem a escrita, mesmo palavras que têm pronúncia idêntica já chegam no seu cérebro como duas imagens completamente diferentes.
Bom, se tudo der certo, ainda vou escrever sobre comida e sobre cotidiano, antes que todas essas impressões murchem no meio da rotina...
Até a próxima!